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Estudo científico · Revisão sistemática com meta-análise

Clareamento com luz ou laser clareia mais?

Uma revisão sistemática brasileira reuniu 21 ensaios clínicos para responder essa pergunta. A resposta foi clara: quem clareia o dente é o gel aplicado pelo dentista. A luz e o laser não acrescentam resultado.

AR
Profa. Alessandra Reis et al. UEPG · Brasil · Journal of Dentistry, 2018
6.663 artigos rastreados nas bases de dados
21 ensaios clínicos randomizados incluídos
Igual mudança de cor com ou sem luz
Quem pesquisou

Pesquisa feita no Brasil, por um grupo dedicado ao estudo do clareamento

A revisão foi conduzida no Departamento de Odontologia Restauradora da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no Paraná. O grupo, coordenado pelos professores Alessandra Reis e Alessandro Loguercio, tem extensa produção científica sobre clareamento dental e voltou ao tema em 2026, numa revisão sobre os mitos mais comuns do clareamento.

O protocolo da revisão foi registrado previamente na base internacional PROSPERO (CRD42016037630), o que impede que os critérios sejam ajustados depois de ver os resultados. A qualidade da evidência foi classificada pelo sistema GRADE, o mesmo usado em diretrizes clínicas.

Profa. Alessandra Reis
Departamento de Odontologia Restauradora · Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) · Paraná, Brasil
Pesquisadora em dentística, materiais restauradores e clareamento dental
Maran BM, Burey A, de Paris Matos T, Loguercio AD, Reis A.
Journal of Dentistry, 2018 · 70:1-13 · DOI: 10.1016/j.jdent.2017.11.007 · PMID 29289725
O que o estudo revela

A luz não melhora o clareamento

Muitos tratamentos de clareamento são oferecidos com luz azul, LED ou laser, com a promessa de clarear mais ou mais rápido. Os pesquisadores da UEPG quiseram saber se isso se confirma na prática clínica. Para isso, reuniram todos os ensaios clínicos randomizados que compararam o mesmo clareamento de consultório feito com luz e sem luz.

De 6.663 artigos encontrados, 21 estudos cumpriram os critérios. O resultado foi o mesmo em todas as análises: não houve diferença na mudança de cor entre os dentes clareados com luz e sem luz. A sensibilidade também foi igual nos dois grupos. Isso valeu tanto para géis de alta concentração quanto para os de baixa concentração de peróxido de hidrogênio.

Os próprios autores resumem a importância clínica do achado: a ideia de que a luz melhora e acelera o clareamento não foi confirmada. Para a mudança de cor, a confiabilidade da evidência foi classificada como moderada, o nível mais alto alcançado nesse tipo de comparação. Na prática, isso significa que o resultado depende do gel, do tempo de contato e da técnica do profissional, e não do aparelho de luz.

Ler resumo original (PubMed) Ler artigo completo
Números do estudo

O que os números mostram

Os resultados da meta-análise comparam lado a lado os dois jeitos de fazer o mesmo clareamento de consultório. Em nenhum dos desfechos avaliados a luz trouxe vantagem.

21 ensaios clínicos randomizados em adultos
0 ganho de cor com luz em relação ao gel sem luz
Igual risco e intensidade de sensibilidade nos dois grupos
GRADE evidência moderada para a mudança de cor

Mudança de cor ao final do clareamento de consultório

Gel sem luzclareamento de consultório
Gel com luz ou lasermesmo gel, com aparelho

Representação do resultado da meta-análise: não houve diferença estatística na mudança de cor (p > 0,05) entre os dois grupos, com géis de alta ou de baixa concentração. As barras ilustram a equivalência e não um valor absoluto de clareamento. Fonte: Maran et al., Journal of Dentistry, 2018.

Outras revisões

Outras revisões chegaram à mesma conclusão

Um único estudo pode errar. Por isso, vale olhar o conjunto. Desde 2012, diferentes grupos de pesquisa, em diferentes países, avaliaram a mesma pergunta e encontraram o mesmo resultado: a luz não acrescenta clareamento.

2012 · 11 estudos
Com gel de consultório, a luz não fez diferença na cor
Com géis de 25 a 35% de peróxido de hidrogênio, os usados no consultório, a luz não mudou o resultado. E os pacientes que receberam luz tiveram mais chance de sentir sensibilidade. Os autores recomendaram cautela no uso da luz.
He LB et al. Journal of Dentistry, 2012 · 40(8):644-653 · PMID 22525016
2020 · laser
O laser não se saiu melhor que outras luzes
Revisão comparou o laser com outras fontes de luz usadas no clareamento. Não houve diferença na cor final nem na sensibilidade. O laser, apresentado muitas vezes como diferencial, teve o mesmo desempenho das demais luzes.
Casado B et al. Operative Dentistry, 2020 · 45(6):589-597 · PMID 32502260
2026 · 24 revisões
Revisão das revisões: luz não melhora a eficácia
Este trabalho reuniu 24 revisões sistemáticas sobre clareamento de consultório. Conclusão: LED, luz halógena ou laser, em geral, não melhoram o clareamento e podem aumentar a sensibilidade. Concentrações moderadas de gel clareiam tanto quanto as mais altas, com menos sensibilidade.
Hajeer O, Hasan A. The Saudi Dental Journal, 2026 · PMID 41896506
2026 · mitos do clareamento
A ativação por luz está entre os mitos do clareamento
O mesmo grupo da UEPG revisou dez crenças comuns sobre clareamento. A ativação por luz foi classificada como sem benefício clínico adicional. A revisão também concluiu que produtos vendidos em farmácia não substituem o clareamento supervisionado pelo dentista em previsibilidade e intensidade de resultado.
Reis A et al. Brazilian Oral Research, 2026 · 40:e062 · PMID 42659424

E o laser contra a sensibilidade? Uma revisão de 2026, com apenas 4 estudos, sugeriu que o laser de baixa potência pode reduzir a sensibilidade depois do clareamento. Os próprios autores alertam que os estudos foram muito diferentes entre si e pedem novas pesquisas. Por enquanto, essa é uma hipótese em estudo, não uma vantagem comprovada. Valian A et al. Journal of Lasers in Medical Sciences, 2026 · PMID 42892825

Na prática

Clareamento de consultório na adolescência

O que faz diferença no clareamento é o diagnóstico, o gel certo e o acompanhamento de perto. É assim que conduzo o clareamento de consultório para adolescentes, dentro de um plano de cuidado completo.

Avaliação antes de clarear
Antes de qualquer clareamento, verifico cáries, restaurações, gengiva e a causa da mudança de cor. Um dente escurecido por trauma, por exemplo, pede investigação e um tratamento diferente do clareamento de todos os dentes.
Só com a dentição permanente
A Academia Americana de Odontopediatria (AAPD) desaconselha clarear todos os dentes enquanto ainda há dentes de leite, porque a cor dos dentes muda quando os permanentes terminam de nascer. Por isso o clareamento é indicado para adolescentes, no momento certo de cada um.
Clareamento de consultório, sem luz
Aplico o gel com a gengiva protegida e controlo o tempo de contato em cada etapa. Como a luz não acrescenta resultado, ela não faz parte do protocolo. O foco fica na escolha do gel e no acompanhamento.
Sensibilidade sob controle
A sensibilidade costuma ser passageira. Concentrações moderadas de gel e protocolos mais simples ajudam a reduzi-la, e quando necessário indico um dessensibilizante, como o nitrato de potássio, adequado a cada paciente.

Clareamento com avaliação, segurança e base científica.

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