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Estudo científico · Odontopediatria

A chupeta não precisa ser o vilão. Mas tem hora de parar.

Chupeta e sucção de dedo merecem atenção durante o crescimento. Reuni referências de 2023 e 2024 para explicar o que se sabe sobre a mordida e por que cada criança precisa de uma avaliação própria.

CS
Cyrielle Sadoun e colaboradores Revisão sistemática · Journal of Clinical Pediatric Dentistry, 2024
2024revisão sobre hábitos e mordida
21estudos incluídos nessa revisão
2023revisão específica de autocorreção
Quem pesquisou

Referências recentes para perguntas do dia a dia

A referência principal é a revisão sistemática de Sadoun e colaboradores, publicada em 2024. Ela reuniu 21 estudos, com buscas até abril de 2023, e encontrou associação entre hábitos de sucção não nutritiva e alterações na mordida. Diferenças de idade, amostra e medição dos hábitos limitam a comparação dos resultados.

Cyrielle Sadoun e colaboradores
Universidade Alfonso X El Sabio, Espanha · Revisão sistemática
Journal of Clinical Pediatric Dentistry. 2024;48(2):4–18. DOI 10.22514/jocpd.2024.029.
O que o estudo revela

Em linguagem clara, o que a ciência descobriu

A revisão de 2024 relaciona a persistência dos hábitos de sucção a alterações como mordida aberta anterior e mordida cruzada posterior. A duração, a frequência e a intensidade do hábito precisam ser consideradas. Esses achados não fornecem uma previsão individual.

Sobre a autocorreção, Adriano e colaboradores publicaram uma revisão sistemática em 2023, com cinco estudos sobre crianças de 4 a 12 anos. Houve melhora após abandonar o hábito, inclusive depois dos quatro anos, mas a certeza da evidência foi muito baixa. Não foi possível definir uma idade a partir da qual a melhora espontânea deixa de ocorrer.

Na consulta, converso com a família sobre o hábito e examino a mordida. A partir daí, planejo o acompanhamento e avalio a necessidade de outros cuidados.

Ler revisão de 2024
Números do estudo

O que os dados mostram

21estudos na revisão de Sadoun et al., 2024
5estudos na revisão de autocorreção de Adriano et al., 2023
451crianças examinadas aos sete anos no estudo finlandês de 2024

Arpalahti e colaboradores avaliaram crianças de Vantaa, Finlândia, aos sete anos, com histórico de sucção informado aos dois anos. O estudo encontrou associação entre uso de chupeta e mordida cruzada posterior. Houve perdas de acompanhamento e as análises consideraram o uso relatado; os resultados não devem ser convertidos em uma taxa universal de risco.

O que esses números significam?
São tamanhos de conjuntos de estudos e de uma amostra, não percentuais de sucesso. A possibilidade de autocorreção não dispensa acompanhamento.
O que acontece com a boca

Veja como o hábito prolongado modifica a mordida

As fotos ilustram diferentes relações entre os dentes. Elas não pertencem necessariamente aos estudos citados nem demonstram, sozinhas, a causa da alteração.

Mordida normal, dentes superiores e inferiores em oclusão correta, com mamelões dos incisivos preservados
Exemplo ilustrativo de contato entre dentes superiores e inferiores.
Mordida aberta anterior em criança, dentes decíduos com espaço visível entre os frontais superiores e inferiores
Na mordida aberta anterior, há um espaço entre os dentes da frente quando os posteriores se encontram. A função deve ser avaliada individualmente.

E a fala, como fica?
Se a família percebe dificuldade na fala, avalio a necessidade de acompanhamento conjunto com fonoaudiologia. Não é possível garantir que retirar o hábito resolva uma alteração de fala.

Caso clínico ilustrado

Imagens ilustrativas de mordida aberta e de sua correção

As imagens abaixo ajudam a reconhecer a alteração. Não são um resultado das revisões citadas nem uma promessa de evolução para outras crianças.

Antes, mordida aberta
Mordida aberta anterior em criança de 11 anos, espaço visível entre os incisivos superiores e inferiores ao fechar a boca

Exemplo de espaço entre os dentes anteriores. A fotografia não permite identificar, isoladamente, a causa da mordida aberta.

Após, mordida corrigida
Mordida corrigida no mesmo paciente após tratamento com grade palatina, dentes frontais superiores e inferiores em oclusão normal

Imagem ilustrativa de fechamento da mordida. A evolução depende do diagnóstico e do acompanhamento; não há garantia de resultado semelhante.

Quando considerar um aparelho? Essa decisão exige avaliação individual. As revisões apresentadas não estabelecem um aparelho obrigatório ou um prazo fixo para corrigir a mordida.

Fotografia clínica real
Fotografia clínica de mordida aberta anterior
Mordida aberta anterior, foto clínica real

Fotografia de paciente com mordida aberta anterior. Observe o espaço visível entre os dentes frontais superiores e inferiores ao fechar a boca, uma alteração que pode estar associada a hábitos de sucção, entre outros fatores. Fonte: Challiyan / CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons

O que você vai perceber no dia a dia

Estes sinais merecem avaliação, mas não estabelecem sozinhos a causa da alteração:

  • Dificuldade de morder pão, maçã ou outros alimentos que precisam dos dentes da frente
  • Leve ceceio ao pronunciar sons como "s", "z" ou "ch"
  • Língua que aparece entre os dentes ao falar ou engolir (deglutição atípica)
Quando procurar? Se o hábito preocupa a família ou há alteração na mordida, converse comigo. Não é necessário esperar uma idade específica para pedir orientação, e não há garantia de autocorreção apenas pela idade.

Fotografia de uso livre (CC BY-SA 4.0) do Wikimedia Commons. A avaliação clínica determina o protocolo individualizado.

Como ajudar seu filho

Estratégias que funcionam, para parar e para corrigir

A retirada da chupeta não precisa ser traumática. Com a abordagem certa e suporte profissional, a transição é gentil para a criança e tranquila para os pais.

Planejamento da retirada do hábito
Converso com a família sobre a rotina e o vínculo da criança com o hábito para planejar a retirada. Oriento cada etapa conforme a avaliação.
Grade de palato (placa anti-sucção)
Um aparelho pode ser considerado em situações selecionadas. A indicação depende do exame, da colaboração da criança e do planejamento; a idade, sozinha, não determina a escolha.
Ortodontia preventiva (se a mordida não se corrigiu)
Após a retirada do hábito, acompanho a evolução da mordida. Se houver necessidade, avalio o momento e a modalidade de tratamento, sem presumir que toda criança precise de aparelho.
Abordagem emocional e reforço positivo
Escuto a criança e a família para construir uma abordagem acolhedora. Conversamos sobre formas de apoio e reforço positivo; indico outros profissionais quando necessário.

Cada criança tem o seu ritmo e a sua solução.

Na consulta, avalio o hábito, a mordida e as possibilidades de cuidado. O acompanhamento permite observar a evolução ao longo do tempo.

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